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de CARLOS ROCHA PINTO

INAUGURAÇÃO | 14 DE SETEMBRO 2017 - 19H00
Salas Deleuze, Duras, Kandinsky, Arendt e Rilke

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"Vivemos numa época de superfícies saturadas de profundidade. Do telemóvel à pele tatuada, cada nova experiência do mundo a duas dimensões se constrói como promessa de aproximação absoluta à tridimensionalidade. Os écrans são cada vez mais finos, no entanto, as imagens que captamos nessas superfícies quase sem espessura elevam a ilusão da 3D a níveis próximos da realidade táctil. Mais do que garantir a ampliação de uma imagem, a técnica do zoom instaura o longínquo dentro do plano achatado. Do mesmo modo, a escala milimétrica dos detalhes de algumas tatuagens são convites a um movimento de aproximação do olhar à pele tatuada. E, nesse movimento, o olhar arrasta consigo um corpo inteiro que se orienta, já não para a superfície da pele desenhada, mas para a profundidade do seu interior como paraíso anunciado. Sabemos que este império do longínquo ou do ínfimo inscrito no plano a duas dimensões tem a sua origem mais remota nas técnicas da perspectiva inventadas pelo desenho e pela pintura renascentistas. Mas também sabemos que a pintura contemporânea – com Pollock, Mondrian ou Newman – começou pela rejeição da convenção da profundidade. O paradigma sensorial da distância, objectivável pelo afastamento da perspectiva, foi substituído no sec.XX pela invenção de uma lógica da ambiguidade, onde a profundidade aparece e desaparece segundo um ritmo, ao mesmo tempo óptico e táctil, de pregnância e de achatamento. Também para Rocha Pinto a profundidade é o grande problema da pintura. No entanto, o seu combate já não é contra as convenções da perspectiva ou da distância, mas, pelo contrário, contra essas técnicas de achatamento da tela praticadas pelos principais movimentos da arte abstracta do sec.XX. Não há lonjura, como não há horizonte, mas também não há o dispositivo de espessura háptica de sobreposição de camadas de matérias, ou de colagens infinitas. O que está em jogo em cada uma das telas de Rocha Pinto é a procura obsessiva da pura superfície. Isso passa por evitar qualquer forma – que convocaria imediatamente um fundo. Passa também por não deixar qualquer marca do gesto do pincel – que denunciaria as camadas do tempo do acto de pintar, com elas, a profundidade de um passado retido na eternidade da obra. A superfície de Rocha Pinto é jogo de cores, num tempo instantâneo. E as variações infinitas desse jogo, de tela para tela, não obedece a nenhuma lógica da série. São composições de um acaso absolutamente rigoroso que tem como único princípio a procura de uma perfeição impossível." Nuno Nabais

 

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"Para o meu amigo e colega
Vi há muitos anos na exposição “Alternativa Zero” (organizada por Ernesto de Sousa) três pequenos trabalhos de um autor que não conhecia e que me atraíram pela particularidade do seu “grafismo plástico”, torturado e difícil. Mais do que o dito, foi a maneira de dizer que me surpreendeu. Vim posteriormente a conhecer o seu autor, o Carlos Rocha Pinto.

A pintura do Carlos Rocha Pinto é antes de mais uma forma de falar. Um deixar fluir a linguagem plástica até que no meio dessa escrita solta e pessoal surja a “coisa “, o “Quadro”.
Perante a angustia da tela branca, o Carlos estabelece uma linguagem. Articula o desconhecido, até acontecer a alegria do Quadro.
O resultado é que importa." Sérgio Pombo

 

 

 

 

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