SÁBADO | 20 DE MAIO 2017 - 21H00 

cepatorta camerardenteA Inquietarte e os Cepa Torta juntam-se num projeto de leituras de textos dramáticos. O objetivo é o de dar a conhecer periodicamente obras de dramaturgos de várias épocas com o recurso à sua leitura pública por atores convidados. Ao género dramático associa-se com frequência uma ideia de incompletude face à sua necessidade de ser “representado”. Mas considerando que o texto teatral é escrito para se repassar na oralidade, a sua leitura em voz alta, não sendo um espetáculo montado numa abordagem de encenação, não deixa de ser uma experiência de envolvimento com um público que assiste. Estas serão leituras intimistas de textos selecionados de teatro num espaço público e que se pretendem momentos de partilha das obras, assumindo-se também como catalisadores de um estudo mais aprofundado com vista à sua possível encenação por parte das companhias de teatro organizadoras.

MAIS INFO:

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963567553 / 938537757
http://cepatorta.wixsite.com/site
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http://inquietarteac.wixsite.com/associacao-cultural

 

ESTA NOITE GRITA-SE... CÂMARA ARDENTE!

Esta peça, de título original “The Hothouse”, foi escrita em 1958, embora só tenha sido editada em 1980 e estreada nesse ano em Londres com encenação do próprio Pinter. Em Portugal foi levada à cena em 2001 numa tradução e encenação de Graça P. Corrêa n’A Capital. O drama passa-se numa clínica de investigação e tratamento psiquiátrico, num ambiente asfixiante, caricatura de uma sociedade altamente burocratizada e entretida em jogos de poder. Nesta “câmara” os doentes, conhecidos pelos seus números, supostos dissidentes que naquele local foram colocados para um processo de normalização, são tratados dos seus desvios sociais. Pinter surge-nos com um conjunto de personagens cujo comportamento num primeiro olhar remete para o absurdo e o cómico despropositado. Mas é no assumir desse ridículo que reside a própria crueza da peça: olhamos para um laboratório do comportamento humano, espelho de uma sociedade repleta de indivíduos que se perdem na manipulação dos seus poderes e na teia desumanizante que criam e que, no final, inevitavelmente os aprisiona.

5 Leitores
7 personagens

Excerto:
ROOTE - Eu estava aí onde você está agora . Pode ter a certeza. A dizer sim doutor, não doutor e com certeza doutor. Exactamente como você agora. E não subornei ninguém para chegar aonde cheguei. Subi a pulso. E quando o meu antecessor... se reformou... eu fui convidado a assumir a posição dele. Você faz alguma ideia da razão por que me chama doutor agora?
GIBBS - Sim, Doutor.
ROOTE - Então porque é?
GIBBS - Porque era assim que o senhor lhe chamava, Doutor.
ROOTE - Exactamente!

Texto: Harold Pinter
Tradução: Graça P. Corrêa
Direcção: Miguel Maia
Interpretação: Filipe Abreu, Frederico Barata, Isabel Costa, Isac Graça, Paulo B. e Telmo Mendes
Gravação de Som: Felix Bruckelmann
Fotografia: Sónia Godinho
Desenhos: Catarina Rodrigues
Design Gráfico: Patrícia de Deus
Uma co-produção: [In]quietArte e Companhia Cepa Torta

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