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QUINTA | 5 DE JULHO 2018 - 19H00
Salas Kandinsky, Arendt, Woolf e Foucault

Colectivo painelDa minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
“O Guardador de Rebanhos” in Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa

Sou do Tamanho do Que Vejo é uma exposição que reúne os trabalhos desenvolvidos durante o ano lectivo de 2017-18 pelos cursos de Pintura – Nível Avançado, do curso Álbum Pessoal e do grupo de Tutoriais do Nextart – Centro de Formação Artística. Sob a orientação de Martinho Costa, formador de Pintura, e com a coordenação pedagógica de Teresa Rutkowski, esta exposição é realizada em colaboração com a Fábrica Braço de Prata. 


Ao longo dos primeiros 2 anos de formação nos cursos de Pintura do Nextart, os alunos vão desenvolvendo capacidades de observação e representação através da pintura – recursos técnicos que são fundamentais na aprendizagem da linguagem desta disciplina. Chegados aos 3º e 4º níveis, os formandos foram, desta vez, desafiados a criar um conjunto de trabalhos em pintura, sob o lema da frase do mais visual dos heterónimos de Fernando Pessoa e que dá título à exposição.

Sou do Tamanho do Que Vejo compõe o poema O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Nesta frase, encontramos a importância do ver como essencial na nossa relação com o mundo. Como se a nossa dimensão física fosse definida pela capacidade que temos de observar para lá da superfície das coisas.

Sou do Tamanho do Que Vejo encerra em si uma verdadeira lição de pintura. O trabalho do pintor é um trabalho fundamentalmente sobre o puro acto de ver. Olhar em profundidade a relação das coisas com o mundo e do mundo com as coisas, num movimento perpétuo que apenas se esgotará quando se esgotar a curiosidade do pintor. Esse acto de admiração da realidade carece de uma necessária – e, nos dias de hoje, cada vez mais provocadora – suspensão do tempo.

É, assim, através da lenta inscrição na superfície do quadro das marcas referentes ao olhar interrogador do pintor, que a pintura continua hoje, e após tantos séculos, a sublinhar esse puro acto de ver. Um gesto cultural por excelência. Tão humano e natural quanto a força que mantém o nosso corpo agarrado à superfície da Terra.

Assim, teremos um conjunto heterogéneo de propostas diferentes, que vão da pintura mais tradicional sobre tela e outros suportes como a madeira ou o papel, a obras que dialogam com a especificidade do espaço que as acolhe. É um corpo de trabalho original, fruto de um processo que aliou a criatividade ao necessário trabalho oficinal que a pintura sempre pede aos seus autores.

Veremos nas diversas salas da Fábrica do Braço de Prata o resultado de um ano de trabalho contínuo em permanentes avanços e recuos, fundamentais no acto criativo. No final, são 17 as medidas de tamanhos diversos com as quais poderemos medir o mundo. Tantas quanto o número de alunos dos cursos Avançados que embarcaram nesta aventura.

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